
Reprodução/Premiere
O DEDO DE MANO MENEZES
Leo Müller critica o gesto de Mano Menezes e aponta que falta o verdadeiro ‘dedo do treinador’ na evolução do Grêmio.
Mano Menezes colocou o dedo dele no time. Bom, pelo menos foi isso que apareceu para o torcedor do Grêmio. O dedo do Mano surgiu em campo, mas não do jeito que o gremista queria.
Após o Grêmio marcar um gol em um jogo em que jogava mal, Mano se virou para a arquibancada e levantou o dedo do meio. Na coletiva, explicou que não foi para a torcida do Grêmio, e sim para um torcedor específico que o estava ofendendo. Disse que o estádio não é terra de ninguém e que é preciso ter respeito, frase que concordo.
Mas Mano ultrapassou uma barreira. Quando ele se comunica diretamente com o torcedor, quando reage com um gesto de arquibancada, ele também vira torcedor. Gesto de emoção, de impulso, de paixão, e às vezes embalado na adrenalina que o futebol gera. Mas, na minha avaliação, Mano errou.
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Do torcedor se espera tudo, porque é emoção pura, paga ingresso, vive o clube e muitas vezes reage no calor do momento. Do treinador, não. O técnico precisa ser o equilíbrio, não o desequilíbrio. Mano já viveu o suficiente no futebol para saber que esse tipo de comportamento não pode se repetir. Ele é treinador, a torcida torce e o técnico treina. Essa é a ordem do futebol.
E sobre o dedo de Mano Menezes no time, aquele que realmente importa, aquele que a gente usa no futebol para dizer que há trabalho, que há a marca do treinador, esse ainda não apareceu. A evolução do Grêmio é muito pequena e, sinceramente, quem colocou o dedo no time até agora foi Arthur, que trouxe qualidade imediata ao meio-campo e mudou o ritmo da equipe. O dedo do treinador, que deveria ser a marca do Mano, ainda não se vê. Arthur mostrou mais trabalho em minutos do que Mano em meses.
Mano Menezes precisa mostrar mais o dedo no time e menos para o torcedor. Mesmo que ele tenha razão ao pedir educação, o gesto passa do ponto. Mano errou ao levantar o dedo. E agora precisa apontar para caminho da evolução do time.
IMPORTANTE: As opiniões dos colunistas são independentes e não expressam, obrigatoriamente, a visão da Alfa.
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