
FOTO: @rafaelribeirorio / CBF
O RISCO DO LIMBO NO NOVO BRASILEIRÃO
Leo Muller analisa como a redução de vagas na Libertadores pode criar um limbo esportivo no Brasileirão e esvaziar a disputa.
Durante muitos anos, o Campeonato Brasileiro conviveu com um cenário mais generoso de vagas continentais. Houve temporadas em que se chegou a falar em G9, com até nove clubes do Brasileirão classificados para a Libertadores, resultado da combinação entre campeão brasileiro, campeão da Libertadores, da Copa do Brasil, da Sul-Americana e outros encaixes que acabavam abrindo vagas extras.
Esse contexto ampliava a competitividade da tabela. Mais clubes entravam no campeonato com a sensação real de que havia algo grande em disputa até as últimas rodadas.
A partir da próxima temporada, o cenário muda. Do primeiro ao quarto colocado, a vaga é direta para a Libertadores. O quinto lugar leva à Pré-Libertadores. A mudança acontece porque, a partir de 2026, uma das vagas de Pré-Libertadores que hoje pertence ao Brasileirão passa a ser destinada ao vice-campeão da Copa do Brasil, enquanto o campeão da competição segue se classificando diretamente para a Libertadores.
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É apenas uma vaga que sai do Campeonato Brasileiro, mas o efeito é profundo. Com menos espaço no topo, classificar-se para a Libertadores via Brasileirão se torna ainda mais difícil, o que altera completamente o cenário de planejamento, ambição e leitura de tabela ao longo da temporada.
E é aí que surge o risco do limbo esportivo.
No segundo turno, vários clubes podem se ver distantes das vagas para Libertadores e Pré-Libertadores, mas também fora da zona de rebaixamento. O objetivo deixa de ser competir por algo maior e passa a ser apenas disputar jogos, cumprir calendário e administrar risco.

O problema é que o futebol brasileiro não se sustenta apenas na lógica do cumprir tabela. Ele é movido a paixão. O torcedor não se contenta somente em vencer um Flamengo ou enfrentar um Palmeiras forte. Ele quer consequência, quer sentir que cada rodada carrega peso.
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Quando olhamos para ligas como Premier League e La Liga, até clubes médios e menores convivem com o glamour do enfrentamento. Jogar contra Real Madrid, Barcelona, Liverpool ou Chelsea tem valor esportivo, simbólico e financeiro. Cada rodada importa, mesmo sem título em jogo.
No Brasil, isso não basta. A paixão exige mais do que o confronto; exige objetivo. Sem isso, o campeonato perde intensidade emocional.
Por isso, sou favorável a uma discussão necessária: o retorno de uma fase mata-mata no Campeonato Brasileiro. Futebol precisa de disputa. Precisa de consequência. Sem isso, vira apenas tabela.
IMPORTANTE: As opiniões dos colunistas são independentes e não expressam, obrigatoriamente, a visão da Alfa.
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