Gabigol Santos Alfa

Raul Baretta/ Santos FC.

Leo Müller
09/01/2026
2 minutos

QUANDO O "APAVORO" VIRA NORMAL, O FUTEBOL PERDE

Leo Müller
Leo Müller

Coluna de Leo Müller no blog da Alfa critica a intimidação na apresentação de Gabigol e alerta para os limites da cobrança no futebol.

Em que mundo a gente está vivendo para achar normal o que aconteceu na apresentação de Gabigol no Santos?

Em que momento passamos a aceitar que dois ou três representantes de uma torcida organizada se sintam no direito de enquadrar um jogador recém-contratado, aplicar pressão direta, quase como um aviso informal de que, se ele não jogar bem, as coisas podem piorar?

Isso não é cobrança. Isso é intimidação. E não pode ser normalizado

Existe uma confusão perigosa no futebol brasileiro: a ideia de que, porque o jogador ganha muito dinheiro, ele deixa de ser humano. Não deixa. O atleta está ali porque alguém paga por ele dentro das regras do mercado. Isso não autoriza constrangimento, ameaça velada ou pressão fora de campo.

Eu sou de um tempo em que grandes contratações eram celebradas. Jogador era apresentado com campanha de marketing, estádio aberto, torcida recebendo. A pressão vinha depois, no jogo, com a bola rolando.

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Hoje, a lógica mudou. Já se convida influencer para apresentação. Já se abre espaço para organizada fazer pergunta. Já se aceita pressão antes mesmo da estreia.

Eu sei que muitas vezes o jogador não corresponde. Falta entrega, falta identificação, falta raça. A frustração do torcedor é legítima. Mas nada disso justifica transformar uma apresentação em um tribunal improvisado.

O efeito disso é claro. Jogadores passam a evitar certos clubes ou a se blindar ainda mais. Vivem em bolhas, dão menos entrevistas, aparecem menos. O contato diminui.

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Antigamente, a imprensa entrava no vestiário. Treino era aberto. Eu mesmo acompanhei vários treinos do Grêmio no Estádio Olímpico, no campo suplementar. O torcedor estava perto. Hoje, isso é impensável.

É verdade que os clubes também mudaram, produzem seus próprios conteúdos e buscam monetização. Mas há outro fator evidente: cuidado com exposição e violência.

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Normalizar esse tipo de situação não ajuda ninguém. Não fortalece clube, não melhora rendimento e não aproxima o torcedor.

Cobrança faz parte do futebol. Intimidação, não. Se isso virar regra, o futebol perde exatamente aquilo que o torna grande: o jogo dentro de campo.

IMPORTANTE: As opiniões dos colunistas são independentes e não expressam, obrigatoriamente, a visão da Alfa.

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