Vanessa Arias Alfa Conteúdos

Reprodução/Instagram

Vanessa Arias
17/12/2025
3 minutos

COMO É SER MULHER CRIANDO CONTEÚDO DE FUTEBOL

Vanessa Arias
Vanessa Arias

Vanessa Arias fala sobre os desafios de criar conteúdo de futebol sendo mulher, machismo no esporte e a luta por espaço e respeito. 

Criar conteúdo de futebol sendo mulher é, antes de tudo, aprender a existir em um espaço que constantemente te testa. Não basta gostar, acompanhar, estudar ou viver o futebol. Sempre parece que falta algo a provar — de novo, e de novo, e de novo.

Quando um homem fala de futebol, ele é torcedor. Quando uma mulher fala, ela é questionada. Questionam se entende mesmo, se alguém ajudou, se está falando por opinião própria ou apenas repetindo o que ouviu. O conhecimento vira suspeita. A paixão, exagero.

Ser mulher criando conteúdo de futebol é saber que um erro vira rótulo. Um comentário mal interpretado vira ataque. Uma opinião firme vira arrogância. E, curiosamente, isso raramente acontece com a mesma intensidade quando vem do outro lado.

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Existe uma cobrança silenciosa para ser perfeita. Para não errar escalação, nome, data, contexto. Para não exagerar no tom. Para não ser emocional demais — mesmo falando de um esporte que vive de emoção. A régua nunca é a mesma.

E ainda assim, a gente continua. Continua porque o futebol faz parte da nossa história, da nossa rotina, da nossa identidade. Porque não é personagem, não é moda, não é tendência. É vivência. É ir ao estádio, é perder o sono, é carregar o jogo para o dia seguinte, é sentir no corpo aquilo que acontece em campo.

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Criar conteúdo de futebol sendo mulher também é lidar com comentários que tentam diminuir, silenciar ou ridicularizar. Às vezes de forma direta, às vezes disfarçados de “brincadeira”. E aprender a diferenciar crítica de machismo vira uma habilidade quase obrigatória.

Mas tem algo que incomoda mais do que qualquer comentário: o incômodo que a presença feminina causa. O simples fato de ocupar esse espaço ainda gera resistência. Como se o futebol tivesse dono. Como se a opinião viesse com gênero.

E talvez seja exatamente por isso que falar de futebol ainda incomoda quando vem de uma mulher.

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Porque a gente não pede licença. A gente não fala mais baixo. A gente não se coloca como exceção. A gente fala porque sabe, porque vive, porque sente. E isso quebra uma lógica antiga que insiste em se manter.

Ser mulher criando conteúdo de futebol é cansativo, sim. Mas também é necessário. Cada texto, vídeo ou opinião abre espaço para que outras não precisem começar do zero. Para que um dia não seja mais preciso explicar por que estamos aqui.

Até lá, a gente segue falando. Mesmo incomodando.

IMPORTANTE: As opiniões dos colunistas são independentes e não expressam, obrigatoriamente, a visão da Alfa.

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