
LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA
O GRÊMIO RICO, O GRÊMIO POBRE
Leo Müller analisa o contraste entre o Grêmio prometido como rico e a realidade de dívidas, transfer ban e desafios financeiros para 2025.
O Grêmio vive uma contradição que marca o fim de 2025 e já define o clima do novo ciclo político do clube: a distância entre o Grêmio rico que foi anunciado e o Grêmio pobre que a realidade apresentou.
A história começa ainda no processo eleitoral. O Grêmio acenava para um futuro de abundância. De um lado, Marcelo Marques — empresário forte, que comprou a gestão da Arena — surgia como possível candidato e prometia colocar dinheiro pesado no futebol.
De outro lado, apareceu também Paulo Caleffi, que falava em contratar Karim Benzema, um dos jogadores mais bem pagos do mundo. Era um cenário de promessas grandiosas, de um Grêmio que parecia caminhar para um salto financeiro imediato.
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Mas nada disso se confirmou. Marcelo saiu de cena, deixando a compra da Arena, mas não o investimento esperado no futebol. O projeto de Caleffi, que seduziu parte da torcida pela ousadia, também não foi pra frente. E no fim, o Grêmio acabou elegendo outro grupo de empresários, tendo Celso Rigo como figura influente e Odorico Roman como candidato vitorioso.
Só que o Grêmio rico das promessas encontrou o Grêmio pobre da prática.

Hoje, o clube está proibido pela FIFA de contratar, com um transfer ban que deve ser resolvido nos próximos dias porque o valor devido é relativamente baixo para um clube desse tamanho: 900 mil reais. Mas é simbólico. É o tipo de situação que um Grêmio “rico” não deveria enfrentar.
O horizonte financeiro é ainda mais pesado. A dívida total se aproxima de 800 milhões de reais, um número que limita qualquer projeto esportivo. O clube mantém uma folha salarial acima de 21 milhões por mês, e ou reduz essa folha para ficar saudável, ou continua pagando o mesmo valor — mas para jogadores melhores, mais decisivos. É simples e direto: ou ajusta a conta, ou não haverá salto de qualidade.
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Aquela transformação financeira imediata imaginada por muitos possivelmente não aconteça. Esse deve ser um trabalho de longo prazo. O discurso do Grêmio rico colidiu com a realidade do Grêmio financeiramente pobre.
E quando falamos “pobre”, não é sobre grandeza — porque de grandeza o Grêmio segue enorme. É pobre financeiramente, pobre diante de Palmeiras e Flamengo, pobre quando precisa fazer contas, pobre quando não pode inscrever jogadores por falta de um pagamento pequeno.
Mas existe o outro lado. O Grêmio é rico no que realmente importa: no torcedor. São mais de 100 mil sócios, a maior torcida do Sul, como mostram inúmeras pesquisas. É o clube mais vencedor do Rio Grande do Sul, com mais Libertadores que o rival, dono de uma história que impõe respeito no continente.
Esse Grêmio é gigante. Esse Grêmio é riquíssimo.
O problema é que o Grêmio gigante está convivendo com um Grêmio financeiramente frágil.
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O Grêmio da Arena comprada convive com o Grêmio que não pode contratar.
O Grêmio das promessas convive com o Grêmio das dívidas.
É um choque de realidade.
O Grêmio parecia rico.
O Grêmio é enorme.
Mas financeiramente, ainda estamos pobres.
É hora de colocar os pés no chão, organizar a casa e transformar — de verdade — o discurso em resultado. Porque não basta parecer rico. Para competir com Palmeiras e Flamengo, o Grêmio precisa ser rico também nas finanças
IMPORTANTE: As opiniões dos colunistas são independentes e não expressam, obrigatoriamente, a visão da Alfa.
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